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Texto: Cícero Lima/Agência INFOMOTO
Foto: Divulgação/Agência INFOMOTO

 

O nome Twister fez história ao inaugurar em 2001 o segmento das motos urbanas de 250 cc no Brasil. O modelo da Honda reinou por quase dez anos até a chegada da CB 300R em 2009. Agora o fabricante volta a apostar na mesma capacidade cúbica para lançar uma moto completamente nova: a CB Twister 2016 faz a estreia mundial de um inédito motor de 250cc da marca, embalado em um desenho moderno e um conjunto ciclístico leve e ágil. O modelo é um dos lançamentos da marca no Salão Duas Rodas 2015.

Embora tenha a liderança na categoria street de 250cc – no primeiro semestre, a Honda CB 300R vendeu 14.504 unidades e a Yamaha Fazer 250 somou 8.384 emplacamentos – a nova CB Twister tem pela frente uma dura missão: substituir a descontinuada CB 300R e ainda aumentar o número de vendas e fidelizar novos consumidores.

Para realizar esta tarefa a Honda apostou em uma moto com design atual e repleta de tecnologias como, por exemplo, o painel totalmente digital (tipo blackout), farol e lanterna com lâmpadas de LED, pneus radiais, motor flex e freios ABS (na versão topo de linha).

Segundo Hayato Ikejiri, supervisor de planejamento de produto da Honda, o novo modelo consumiu três anos de desenvolvimento. “Pretendemos gerar o desejo de upgrade no motociclista que vem das motos de baixa cilindrada”. O interesse da Honda se justifica, pois as motos entre 250 e 500 cc representam 10% do mercado. Embora os números de vendas atuais não sejam tão empolgantes, o segmento é a porta de entrada para as motos maiores.

Para quem está curioso para saber porque a Honda decidiu reviver o nome Twister, o engenheiro da Honda Alfredo Guedes, explica: “em nossas pesquisas, o nome mostrou muita força junto aos consumidores, um ícone na categoria”, justifica o engenheiro.

 

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Como é a nova Twister

A nova CB Twister marca a estreia de um novo motor global de 249,5 cm³, com refrigeração mista, ou seja, a ar com radiador de óleo. O propulsor usa comando simples com balancins roletados para acionar as quatro válvulas – duas de admissão e duas de escape. Sua potência máxima é de 22,6 cv a 7.500 rpm abastecido com etanol, enquanto o torque máximo de 2,24 kgf.m chega aos 6.000 rpm. Equipado com um contra-balanceiro para diminuir as vibrações, o propulsor é alimentado por injeção eletrônica e já está adequado as normas do Promot 4, que entra em vigor em janeiro de 2016.

Câmbio de seis marchas completa o conjunto mecânico, que é fixado no chassi do tipo diamante, moldado em tubos de aço. O componente se destaca visualmente com uma treliça junto ao canote da moto.

Outras “modernidades” chamam atenção como o uso de lâmpadas de LED no farol e lanterna traseira. A tampa do tanque (com capacidade para 16,5 litros) em padrão aeronáutico tem a função de reter os vapores do combustível. O painel digital usa uma tela estilo blackout, muito semelhante a um smartphone. Quando a moto é ligada saltam aos olhos do piloto informações como horas, giro do motor, velocidade, hidrômetro, marcador de gasolina e luzes espia. Só faltou o indicador de marchas.

Outra novidade é o sistema de amortecimento traseiro. Fixado à balança, o amortecedor usa duas molas que se encarregam de absorver impactos e manter a roda “grudada” no chão. Na traseira o curso é de 108 mm. Na dianteira, o tradicional garfo telescópico tem 130 mm de curso.

Suas rodas de 17 polegadas são moldadas em liga leve e calçadas com pneus de desenho esportivo – Pirelli Diablo Rosso II. O fabricante optou por equipar o modelo com pneus radiais, o que é inédito entre as motos dessa categoria.

 

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Primeiras impressões

Ao se aproximar da moto é possível perceber o DNA das motos de maior capacidade cúbica. Seu design é agressivo graças as suas aletas laterais, ao tanque e o logo da asa remete aos modelos esportivos da linha CBR. Só não agrada o grafismo comportado e as cores muito triviais.

Na versão topo de linha, o modelo ganhou freios ABS, pesa 139 kg (a seco) e mostrou-se muito fácil de manobrar mesmo desligado. Ao subir na moto o banco a apenas 784 mm do chão, permite apoiar os pés com facilidade. Ao acionar a chave o painel faz o check-up enquanto chega aos ouvidos o som da bomba de combustível sendo pressurizada. O motor pega fácil e emite um som médio-grave do escape. Bastam poucos metros para estar à vontade a bordo da nova Twister, como é característica das motos da marca.

Os comandos chegam às mãos de maneira natural e a posição de pilotagem convida a uma tocada mais esportiva. Seu torque máximo na casa dos 6.000 giros permite uma pilotagem relaxada em baixas velocidades. O câmbio se mostrou bem escalonado, até mesmo em marchas altas foi possível retomar aceleração sem reduzir e sem que o motor batesse pino, por conta do torque disponível em baixos giros.

Se o piloto for mais agressivo ficará feliz ao ver o conta-giros chegar aos 7.500 rpm, quando o motor oferece todos os 22,6 cv de potência máxima. A maior velocidade na pista de testes superou os 135 km/h, mas foi limitada pelo tamanho da reta para avaliação, com mais espaço deverá superar essa marca.

Na pista sinuosa, o conjunto ciclístico mostrou muito equilíbrio, com destaque para os pneus radiais que transmitiram muita confiança. Isso em função de sua boa aderência. Equipada com sistema de freios ABS usa disco de 276 mm na dianteira e 220 na traseira, e até permitia alguns abusos nas entradas de curva. Com o passar do tempo a moto vai instigando o piloto a abusar do acelerador e inclinar cada vez mais nas curvas. Apesar do forte calor na pista de testes, distante 70 km de Manaus (AM), a posição e a facilidade de pilotagem garantiam o conforto.

A nova CB Twister 2016 chega às concessionárias da marca em breve com três opções de cores para a versão sem ABS, cotada a R$ 13.050: preta, vermelha ou branca. Quem optar pelo modelo com sistema de freios antitravamento terá que desembolsar mais R$ 1.500 e se contentar com a CB Twister vermelha – única opção de cor na versão ABS.

 

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Conclusão

O modelo tem tudo para manter a liderança da Honda no segmento e ainda tirar alguns simpatizantes da Yamaha Fazer 250 (cotada a R$ 13.620), sua principal concorrente, que já mostra sinais de cansaço em seu design. Claro que o sucesso da nova 250 cc da Honda dependerá mais do preço praticado nas concessionárias do que seu nome famoso.

 

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