Por R$ 14.590 naked tem motor de 27 cv de potência e freios combinados para disputar mercado com os modelos de 250cc de Honda e Yamaha
 
 
A Dafra buscou uma fórmula conhecida para colocar a Next novamente como uma opção no segmento de motos street de 250/300cc. Para enfrentar a última geração da Honda CB Twister 250 e a nova Yamaha Fazer 250 ABS, a Next ganhou um motor de maior capacidade e 27 cv de potência máxima, além de cores e grafismos inéditos, e sistema de freios combinados – uma exigência da legislação a partir do próximo ano.
 
O preço é outro atrativo. A nova Next 300 tem preço sugerido de R$ 14.590 – um pouco inferior ao valor da Twister (R$ 15.530) e da Fazer (R$ 15.290), ambas com ABS, um opcional não disponível na Next.
 
A diferença é pequena, mas a street da Dafra tem ainda motor com refrigeração líquida mais potente (27 cv) e câmbio de seis marchas – a Yamaha ainda usa caixa de cinco velocidades. Isso não significa que a Next seja melhor que as concorrentes por isso. Mas as mudanças fizeram com que a Next voltasse a ser uma opção a ser considerada nessa faixa de preço e cilindrada.
 
 
Visual cansado
 
Na parte visual, a Next 300 não mudou muito, para não dizer quase nada. Manteve as carenagens e o farol poligonal da primeira geração. Há também um spoiler sob o motor e grandes aletas laterais, que escondem o radiador. A diferença é que as aletas e as tampas laterais agora são pintadas de outra cor. Na unidade avaliada, a vermelha, as peças ganharam um acabamento cinza fosco.
 
Embora seja praticamente a mesma moto de antes visualmente, é impressionante a diferença que as cores e os novos grafismos fazem. Não foram poucos os motociclistas que perguntaram se essa era a nova Next 300 e comentaram como ela ficou mais bonita.
 
Painel e sistema de iluminação são os mesmos. A lanterna traseira usa LEDs, mas o farol dianteiro não. Na minha opinião, o modelo merecia um face-lift que acompanhasse a mudança no motor e também piscas mais bonitos. A luzes de direção da Next são muito grandes e destoam do conjunto.
 
 

 
Motor potente e vibrante
 
Desde quando chegou ao Brasil em 2011, o motor com arrefecimento líquido sempre foi um diferencial da Next. Agora o monocilíndrico com comando simples no cabeçote e quatro válvulas passou de 249,5 para 278 cm³. O aumento de capacidade é a receita mais comum para se obter melhor desempenho.
 
Alimentado por injeção eletrônica, a potência máxima passou de 25 para 27 cv a 9.250 rpm. Número melhor do que Fazer (21,5 cv) e Twister (22,6 cv) com etanol, já que ambas são flex, mas a Next “bebe” somente gasolina.
 
No trânsito urbano, o motor maior da Next também se aproveita do bom torque – 2,65 kgf.m a 6.500 giros – para evitar muitas trocas no câmbio de seis marchas. Há força suficiente para rodar em segunda, terceira marcha em baixos giros e ter boas retomadas.
 
A embreagem é macia, mas o engate das marchas poderia ser mais suave. Em algumas trocas foi preciso aplicar uma força maior no pedal para a marcha “entrar”. Pode ser que com o tempo isso melhore, já que a unidade testada tinha apenas 400 km.
 
O consumo, predominantemente em uso urbano, foi de 26,4 km/litro – razoável para a categoria, porém acima das médias das concorrentes que fazem em torno de 30 km/l. Como o tanque da Next tem capacidade para 14 litros, a autonomia supera os 300 km.
 
Em um curto trecho de rodovia, o desempenho do motor correspondeu às expectativas. Chega-se facilmente aos 120 km/h e parece haver fôlego para velocidade maiores. Mas nessa situação, que obriga o motor a girar mais, aparece um dos pontos negativos da street da Dafra: a vibração. Sentida principalmente nas pedaleiras, pode se tornar um incômodo em trajetos mais longos.
 
 

 
Urbana
 
Porém, se a ideia for usar a Next 300 na cidade, o modelo cumpre com sua proposta. A posição é confortável e o banco bipartido oferece bom espaço para o piloto e para a garupa. O guidão alto tem boa alavanca e a Dafra parece ter corrigido outro problema do modelo. As primeiras unidades vendidas no Brasil tinham um ângulo de esterço muito limitado, o que comprometia manobras em baixa velocidade e dificultava a tarefa de “costurar” entre os carros no trânsito pesado de uma cidade como São Paulo.
 
Nesse novo modelo, não enfrentei essa questão. A nova Next 300 parece estar mais à vontade nas mudanças de direção. Entretanto, a Dafra não informou se houve alterações na geometria do quadro.
 
Uma mudança bem-vinda está nos pneus. A Next 300 testada usava Pirelli Diablo Rosso II radiais e sem câmara, medidas 110/70 (diant.) e 130/70 (tras.), nas rodas de liga-leve de 17 polegadas. A construção radial oferece mais segurança, principalmente em altas velocidades e também garante mais agilidade nas curvas.
 
O conjunto de suspensões também se mostrou adequado para nossas ruas e estradas. O garfo telescópico convencional na dianteira e a balança monoamortecida encaram bem o asfalto ondulado e malcuidado da capital paulista.
 
Já o sistema de freios combinados – com disco nas duas rodas – se mostrou um pouco brusco demais. Ao pisar levemente no pedal de freio traseiro, o sistema hidráulico da Dafra não aciona a pinça dianteira. Mas ao carregar na força do pé, a transferência de peso para a dianteira não é progressiva. Em algumas oportunidades, levei um susto porque a dianteira afundou demais ao frear a traseira.
 
Mas, em geral, os freios, que ganharam pinça de fixação radial na dianteira, dão conta de parar os 167 kg a seco da Next 300 – um peso bem elevado se comparado às concorrentes.
 
 
Conclusão
 
Com um acabamento mais atrativo, a Next 300 chama a atenção no trânsito. O motor arrefecido a líquido tem bom desempenho para a categoria, mas vibra demais em altos giros e seu consumo foi maior do que o esperado. Na verdade, foi o mesmo obtido com o antigo modelo de 250cc.
 
A nova geração, mais potente e com freios melhores, volta à disputa do segmento de streets 250/300cc. Com preço levemente inferior às concorrentes, a Next 300 também é apontada por muitos motociclistas como uma moto “menos visada” do que os modelos Honda e Yamaha. Talvez por seus números de venda serem inferiores, o que evitaria o roubo para a comercialização de peças.
 
Mas, sinceramente, acredito que um novo visual poderia tornar o modelo da Dafra mais atraente ao consumidor. A Honda Twister, lançada em 2015, e a nova Yamaha Fazer, lançada no Salão Duas Rodas 2017, têm design mais moderno, o que pode pesar na hora da decisão de qual moto comprar.
 
 
TEXTO: Arthur Caldeira / INFOMOTO
FOTOS: Renato Durães / INFOMOTO