Renovada dos pés à cabeça, a “Ninjinha” perdeu peso e ganhou um bicilíndrico de 399 cm³ mais potente que as concorrentes
 
 
A Kawasaki Ninja 400 chega ao Brasil para substituir o bem-sucedido modelo de 300cc. A “Ninjinha” é nova dos pés à cabeça e não herdou nada da geração anterior: quadro, suspensões e um inédito motor de 399 cc com 48 cavalos de potência máxima foram desenhados do zero. A Ninja 400 chega às lojas na segunda quinzena de setembro somente na versão ABS e em três opções de cores. O preço parte de R$ 23.990 (sem frete) para as roupagens verde e preta, e chega a R$ 24.990 para a versão réplica da equipe de corrida, a KRT (Kawasaki Racing Team).
 
Precursora do segmento de miniesportivas com a Ninja 250R lançada em 2008, a Kawasaki assistiu ao surgimento de diversos modelos, como a KTM RC 390 e Honda CBR 300RR, no exterior, e a chegada da Yamaha YZF-R3 ao país. Para contra-atacar, a fábrica japonesa “subiu o sarrafo” do segmento com o recém-lançado modelo de 400cc.
 
 
Mais leve
 
Além de ter ficado quase 10 cv mais potente, a Ninja 400 perdeu 4 kg em relação ao modelo anterior – a Ninja 300 tinha 39cv e pesava 172 kg. Um dos responsáveis pelo regime é o novo quadro em treliça. O peso em ordem de marcha da nova geração é de 168 kg.
 
Compacto e leve, a geometria do chassi foi inspirada na H2, a moto “turbo” da Kawasaki: a distância entre-eixos é curta (1.370 mm, 35 mm a menos do que na antiga 300) e a balança traseira, mais comprida.
 
As suspensões também mudaram. Na dianteira, o garfo telescópico convencional traz tubos de 41 mm, sem ajustes. Na traseira, o amortecedor KYB tem cinco posições de ajuste na prá-carga da mola.
 
Os freios também receberam um upgrade para dar conta da potência extra. O disco de freio dianteiro agora é flutuante e tem diâmetro maior – 310 mm – mordido por pinça de dois pistões. Na traseira, disco de 220 mm. Outra novidade é que a Ninja 400 só será vendida com ABS, desenvolvida especificamente para motos pela Nissin.
 
As rodas aro 17 tiveram o design alterado e calçam pneus radiais sem câmara Pirelli Diablo Rosso II. Na dianteira, a medida se manteve – 110/70 – mas, na traseira, aumentou para 150/70.
 
 

 
Faróis de LED e painel completo
 
O design também foi atualizado. As novas carenagens conferiram um porte mais encorpado à “Ninjinha” de 400cc. Na parte dianteira, a carenagem ganhou spoilers abaixo do farol para melhorar a estabilidade em alta velocidade. E agora os dois faróis usam LEDs e se acendem ao mesmo tempo – na antiga esportiva de 300cc apenas um deles se acendia e o outro somente no farol alto. A lanterna traseira, também de LEDs, é a mesma da Ninja ZX-10R, enquanto a rabeta traz as linhas da H2.
 
O cockpit traz uma mesa de direção vazada, dois semiguidões relativamente altos para uma esportiva e um novo painel digital. Mais completo, é igual ao utilizado na Ninja 650 e conta com tela de LCD que mostra a velocidade, nível do combustível, hodômetros e informações de um computador de bordo; além de luzes espia e um grande conta-giros de leitura analógica.
 
 
Mais “motor”
 
Mas a cereja do bolo fica mesmo por conta do novo motor. Completamente redesenhado, ele tem design mais compacto com os dois cilindros inclinados à frente. Tem 399 cm³ de capacidade, comando duplo no cabeçote e refrigeração líquida.
 
Alimentado por uma injeção eletrônica mais moderna e sistema de alimentação mais direto, o propulsor oferece mais potência – 48 cv a 10.000 rpm – em uma faixa de giro inferior à antiga Ninja 300. O torque máximo cresceu e também aparece mais cedo: são 3,9 kgf.m a 8.000 giros.
 
O câmbio manteve as seis velocidades e a embreagem deslizante, que agora também ganhou um sistema de assistência, o que reduz o esforço para trocar as marchas.
 
 

 
Primeiras impressões na pista
 
Embora seja um modelo esportivo, a Ninja 400, assim como suas antecessoras, foram projetadas mais para o uso em ruas e estradas. Apesar disso, o lançamento do modelo foi feito em uma pista. Neste primeiro contato, foi possível avaliar as mudanças no desempenho do motor e na parte ciclística.
 
Assim que se desperta o novo motor, nota-se que seu ronco é mais encorpado. E, embora, a potência máxima tenha crescido bastante, é o torque em baixos e médios giros que faz a grande diferença ao se acelerar a nova Ninja 400. Não é preciso “esticar” as marchas para que o motor responda prontamente. Já a partir de 4.000 giros, a miniesportiva demonstrou força para retomadas e acelerações – e, o melhor, sem ter de reduzir uma marcha, como era comum nos modelos de menor capacidade.
 
Mas quando o motor girava alto, no final da reta da pista do Haras Tuiuti, no interior de São Paulo, era fácil notar os 48 cv entrando em ação. Em quinta marcha, e a 10.000 rpm o velocímetro marcava 140 km/h. Prova de que há fôlego para mais.
 
Na parte ciclística, o que chama a atenção é que agora o peso está concentrado na parte dianteira, como em esportivas de maior capacidade. Com o novo chassi, do qual o motor faz parte da estrutura, a Ninja 400 convida a deitar nas curvas.
 
Embora as suspensões tenham mudado, o acerto do conjunto é feito para proporcionar mais conforto do que esportividade. Faz falta um sistema de ajustes no garfo dianteiro. Os freios são suficientes para segurar a Ninja 400 com segurança e o sistema ABS se mostrou adequado até mesmo para o uso em pista – foi possível sentir o sistema atuando apenas em frenagens mais “exageradas”.
 
 
Conclusão
 
A Kawasaki conseguiu elevar os parâmetros do segmento de miniesportiva. Para isso, recorreu a uma receita antiga: um motor maior, que produz mais potência em altos giros e torque em médios regimes. Como diz o ditado, “nada substitui a capacidade cúbica”.
 
Além disso, a marca japonesa apostou em um design encorpado e acabamento cuidadoso. Unindo, dessa forma, dois atributos que os amantes de esportivas procuram: beleza e desempenho. Com as novidades, a nova Kawasaki Ninja 400 merece, de fato, ser classificada como uma miniesportiva.
 
O preço é R$ 1.000 mais caro do que o antigo modelo de 300cc, equipado com freios ABS, afinal a nova geração só será vendida com o sistema antitravamento por força da lei. O valor de R$ 23.990 deixou a nova Ninja 400 um pouco mais cara que a concorrente Yamaha R3 ABS, vendida por R$ 23.290. Mas o motor maior e mais potente (48 cv contra os 42 cv da R3) podem ajudar a nova “Ninjinha” a destronar a miniesportiva da Yamaha, que é líder de vendas no segmento.
 
 
TEXTO: Arthur Caldeira / INFOMOTO
FOTOS: Divulgação / Kawasaki