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TEXTO: Cicero Lima / Agência INFOMOTO
FOTOS: Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

Renovada, a crossover da Honda traz novas carenagens, painel inédito e suspensões mais firmes. Vendida apenas na versão com freios ABS, vale a pena pagar o valor de R$ 38.590 pedido pelas concessionárias?

A Honda NC 750X chega à sua terceira geração com mudanças significativas. O modelo deixou de ser uma crossover racional e agora apela para o lado emocional dos motociclistas ao oferecer design mais atraente, farol e lanternas e LED, painel multifuncional e novas suspensões, entre outras novidades. Rodamos com o modelo para descobrir o resultado dessas mudanças e para saber se vale a pena pagar os R$ 38.590, pedidos pela nova geração da NC 750 X nas concessionárias de São Paulo (SP), para ter uma na sua garagem.

À primeira vista a nova NC 750 X se mostra muito mais interessante. As novas linhas cativam quem busca uma moto imponente que transmite mais status. Para isso a moto ganhou novas aletas laterais, novo paralama dianteiro e um descolado suporte para mala sobre o falso tanque. Por falar nisso, a capacidade de bagagem do compartimento no lugar do falso tanque aumentou para 22 litros o que permite encaixar um monte de tralha. Lá cabe até um capacete fechado e continua sendo um forte apelo a favor da moto, principalmente para quem a utiliza diariamente.

Mais esportiva

Mas a grande mudança só será sentida quando o piloto ligar a moto. O escape ganhou uma ponteira esportiva, deixando de lado o visual comportado da ponteira presente nas gerações anteriores. Além da esportividade, o som do motor está mais agradável e instiga a uma tocada mais agressiva. Muitas pessoas que vieram conferir a novidade de perto, pediram para acelerar e se empolgaram com o novo som. “Aí sim”, muitos disseram.

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O propulsor ganhou novo mapeamento da injeção eletrônica e continua com 54,5 cv a 6.250 giros, porém a grande atração do conjunto é o torque de 6,94 kgf.m disponível a 4.750 giros. Com ele é possível manter a velocidade de 120 km/h na casa dos 3.500 giros. Quem se empolgar pode passar dos 180 km/h de velocidade máxima – acima disso precisa de muita pista livre e paciência para ganhar mais velocidade.

Para a avaliação rodamos centenas de quilômetros com a nova geração da crossover. Seu novo conjunto de suspensão, que ganhou novos componentes e um acerto mais rígido na dianteira, mas ainda não oferece ajustes. Caso o piloto viaje com garupa e muita carga é possível fazer a regulagem na pré-carga da mola da suspensão traseira. O conjunto se mostrou eficiente, principalmente, em curvas de alta velocidade, quando a NC mantêm-se na trajetória desejada.

Nas longas retas, o parabrisa maior, agora com 38 centímetros, cinco a mais que a versão anterior, desvia bem o vento frontal. Segura na estrada, a NC exige que o piloto pare a cada 200 km para esticar as pernas e abastecer. Aqui vale uma observação: parece que a NC perdeu parte do seu conforto por conta da suspensão mais firme.

Outro detalhe é a intermitente luz de reserva. Apesar de o tanque ter capacidade para 14,1 litros, a luz chegou a piscar com menos de 200 km rodados. Foram vários abastecimentos e dependendo do ritmo o consumo variava entre 24 e 30 km/litro. Mesmo sabendo que ainda teria muitos quilômetros a percorrer, o aviso de reserva acaba forçando uma parada. Usando a moto esportivamente nos trechos de serra, o consumo foi de 24 km/litro por conta do uso do câmbio (de seis marchas) em constantes reduções.

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Camaleão que incomoda

O painel da NC 750X realmente é uma evolução. Repleto de informações, fornecidas pelo computador de bordo, permite acompanhar de forma instantânea tudo o que acontece com a moto. Em relação ao consumo de combustível o painel muda de cor de acordo com a tocada do piloto. No começo é até interessante, porém o balé colorido – que lembra um camaleão oscilando entre vermelho, amarelo, azul e verde, acaba perturbando principalmente à noite. Ainda bem que é possível desligar a função e manter uma cor mais neutra. Se desejar é possível priorizar as informações sobre rotação ou mesmo autonomia.

Durante a noite surge outra atração da nova NC, o farol em LED. O brilhante facho branco e concentrado ilumina bem e facilita a visualização de placas, sinais ou obstáculos na estrada – ajuda até mesmo os outros veículos a verem a moto no espelho retrovisor e dar passagem. A luz alta praticamente não foi usada, somente no momento de chamar atenção.

Conclusão

Após quase mil quilômetros rodados foi possível perceber que a NC 750X é outra moto. Tem mais “pegada” na sua aceleração e gosta de contornar curvas de forma mais esportiva. O problema é o preço. Em São Paulo, por exemplo, os concessionários estão pedindo R$ 38.590 – embora o preço público sugerido pela Honda seja de R$ 36.500. Com três de garantia e assistência 24 h em todo o Brasil e América do Sul. Valor que a coloca próximo a modelos como a Triumph Tiger 800 XR: equipada com motor de três cilindros e 95 cv de potência, o modelo inglês traz ainda controle de tração e freios ABS por R$ 37.990.

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