Em uma viagem de 1000 quilômetros, uma crossover e uma bigrail duelam pela preferência do motociclista que quer investir R$ 46.000 para ter conforto, autonomia e tecnologia
 
Versáteis, confortáveis, recheadas de tecnologia e com boa autonomia, as motos aventureiras estão em alta. Hoje são as preferidas do consumidor que busca um modelo para longas viagens.
 
A popularidade do segmento e a utilização dessas motos predominantemente no asfalto fizeram com que os fabricantes criassem as “crossovers”: modelos que combinam o desempenho e a agilidade das nakeds esportivas com a ciclística e a posição de pilotagem das trails. Kawasaki Versys 1000, Honda NC 750X, BMW S 1000XR e Triumph Tiger Sport 1050, entre outros, são bons exemplos dessa “mistura”.
 
Com tanta variedade, o motociclista que planeja comprar uma moto para viajar pode ficar na dúvida entre as verdadeiras bigtrails e as novas crossovers. Pensando nisso, rodamos mais de 1.000 km com a BMW F 800GS e a Yamaha MT-09 Tracer para descobrir qual a melhor para você. Ambas têm preços próximos e são legítimas representantes de cada estilo aventureiro.
 
 

 
 
Conheça as opções
 
Renovada, a BMW F 800 GS custa R$ 45.900 e é o exemplo de uma bigtrail com vocação off-road. Rodas raiadas, aro 21 na dianteira, suspensões de longo curso e até mesmo seu visual deixam claro que a moto alemã está pronta para qualquer terreno. O modelo 2016, além do controle de tração, ganhou também ajuste eletrônico de suspensão e um leve face-lift.
 
Já a Yamaha Tracer, cotada a R$ 45.990, não nega sua origem. Compartilha o quadro e o tricilíndrico de 115 cv com sua irmã naked, a MT-09, de quem também herda as rodas de liga-leve aro 17. Porém, a Tracer tem tanque maior, banco mais amplo, carenagem frontal e uma posição de pilotagem ereta, típica das trails, no melhor estilo crossover.
 
Não se trata de um simples comparativo para descobrir qual a melhor entre elas. Ambas são excelentes opções para longas viagens, mas têm peculiaridades que podem fazer uma delas a melhor opção para você em sua próxima viagem. Confira!
 
 
Escolha a BMW F 800 GS se você:
 
 

 
 
– Não se preocupa com potência acima de 100 cavalos: equipada com um bicilíndrico de 798 cm³ a BMW produz “apenas” 85 cv a 7.500 rpm, suficiente para manter boas velocidades de cruzeiro em uma viagem, mas não se trata de um desempenho esportivo e fica bem abaixo da Tracer e seus 115 cv de potência. Por sua configuração, o motor também vibra bastante e incomoda após longas horas pilotando.
 
– Já tem muitos quilômetros no currículo: outra novidade da F 800 GS para 2016 é o banco conforto, que vem como item de série na versão brasileira, montada em Manaus (AM). Mais largo e com mais espuma melhorou em relação ao assento do modelo anterior, mas ainda assim não oferece o conforto de uma sport-touring. Outro detalhe que compromete o conforto na BMW é o pequeno para-brisa que oferece pouca proteção aerodinâmica aos mais altos e cansa após trechos de 200 km.
 
– 300 km de autonomia são suficientes: Em nossa viagem de 1.000 km, o consumo da bigtrail alemã variou entre 17,6 km/l e 21,1 km/l. Com um tanque de 16 litros de capacidade a F 800 GS oferece cerca de 300 km de autonomia. Pouco se você pretende rodar pelo Deserto do Atacama, tanto que a própria marca alemã oferece uma versão “Adventure” da F 800 GS com tanque de maior capacidade (24 litros).
 
– Tem mais de 1,80 m: o novo assento da F 800GS, mais largo, está a 895 mm do solo. Portanto, é preciso ser alto – pelo menos 1,80 m – para colocar os dois pés no chão na hora de estacionar essa alemã, que pesa 214 kg em ordem de marcha. Mas essa característica não é assim tão determinante. Meço 1,71 m e rodei muitos quilômetros com a bigtrail, mas é preciso experiência e atenção na hora de manobrar. E nós, menos favorecidos no quesito altura, sempre podemos escorregar para um dos lados do banco e apoiar o pé no chão.
 
– Gosta de terra: caso você seja o tipo de motociclista que entre 100 km de asfalto e 50 km de terra prefere se aventurar no fora-de-estrada, não hesite: vá de F 800GS. Pois é justamente na terra que a bigtrail alemã se sobressai em relação à crossover japonesa. Com 230 mm de curso no garfo invertido na dianteira e 215 mm na balança traseira monoamortecida, a BMW enfrenta qualquer estrada de terra sem problemas. O ajuste eletrônico da suspensão é bem-vindo nessas situações, já que por meio de um toque no botão é possível alterar as configurações de compressão e retorno. O controle de tração não é lá dos mais modernos, mas, assim como o ABS, pode ser desligado para você se divertir no off-road.
 
 
Escolha a Yamaha MT-09 Tracer se você:
 
 

 
 
– É fã de motores que giram alto: Com motor de três cilindros e virabrequim crossplane, a Yamaha conseguiu reunir o melhor dos dois mundos na Tracer: bom torque em baixos e médios regimes e potência de sobra em altos giros. O tricilíndrico com 846 cm³ produz 115 cv a 10.000 rpm. Com funcionamento bem liso, sem vibrações, a Tracer tem o desempenho de uma naked esportiva e ainda oferece uma boa relação peso/potência: 0,54 cv/kg. O modelo ainda está equipado com três modos de pilotagem: “STD” (standard), para qualquer situação; “A”, para uma resposta mais instantânea e esportiva do acelerador; e o modo “B” deixa a resposta do acelerador e a entrega de potência ainda mais suave.
 
– Quer conforto de sobra para piloto e garupa: o largo banco da Tracer é bipartido e tem bastante espuma garantindo assim conforto para dois ocupantes. O para-brisa alto (que oferece regulagem de altura) e a ampla carenagem oferecem uma excelente proteção aerodinâmica: nem se sente o vento no capacete e os grandes protetores de mão ajudam nessa tarefa. A posição de pilotagem ereta permite rodar por muitos e muitos quilômetros sem cansar. Em nossa jornada, o piloto da Tracer chegou mais “inteiro” ao destino. E não se preocupe com a altura: o banco dessa Yamaha pode ser ajustado em duas posições: 845 mm ou 860 mm.
 
– Boa autonomia e consumo razoável: o consumo da Tracer varia de acordo com a tocada: com ímpeto no acelerador chegamos a rodar 17,7 km/l; em um trecho de estrada aberta e com uma tocada mais tranquila atingimos a boa marca de 22 km/l, melhor do que a BMW indo na mesma tocada. Como seu tanque tem capacidade para 18 litros, a Tracer roda até 350 km sem paradas.
 
– Gosta de contornar curvas: a principal diferença entre as duas aventureiras está no diâmetro da roda: enquanto a BMW tem uma grande roda de 21 polegadas na dianteira, a Yamaha usa aro 17 na frente e atrás. Essa configuração em conjunto com os bons pneus de perfil esportivo sem câmara faz dessa Tracer uma devoradora de curvas. Não que a BMW seja ruim, pelo contrário. Mas a Tracer mostrou-se muito mais estável tanto nas estradas sinuosas como em alta velocidade. Nas serras durante a viagem, o piloto da F 800 GS suava para acompanhar a crossover japonesa.
 
– Vai rodar apenas no asfalto: esse é o ponto crucial para escolher entre uma bigtrail ou uma crossover. Se você é do tipo que passa longe daquela estradinha de terra batida a caminho do sítio, vá de Yamaha Tracer. Suas suspensões até enfrentam bem estradas secundárias com asfalto ruim, porém o pouco curso – 137 mm na frente e 130 mm atrás –, as rodas de liga-leve e os pneus esportivos dificultam a vida no fora-de-estrada mais exigente. Por outro lado, o conjunto mais firme e o quadro de alumínio em conjunto com as rodas menores oferecem muito conforto para você ir mais até onde quiser, desde que tenha asfalto.
 
 

Texto: Arthur Caldeira/ Agência INFOMOTO
Fotos: Divulgação