Versão DX da bigtrail da Yamaha oferece suspensão eletrônica, aquecedor de manopla e piloto automático
 
 
Ela não tem o status da BMW R 1200 GS, nem o marketing da Honda CRF 1000L Africa Twin e tem menos potência do que a Triumph Explorer 1200. Embora não seja a melhor em uma característica específica, a Yamaha XT 1200Z Super Ténéré ainda figura entre as opções de quem pretende comprar uma bigtrail.
 
A começar pelo preço competitivo para o segmento. A versão avaliada, a DX, topo de linha, que, entre outras coisas, tem manoplas aquecidas de série e suspensões com ajuste eletrônico, é vendida por R$ 65.490.
 
Além disso, a Super Ténéré preenche diversos requisitos de uma moto aventureira. Seu motor bicilíndrico tem bom desempenho (112 cv). O tanque de 22,6 litros garante uma autonomia respeitável. O generoso assento e o para-brisa ajustável asseguram o conforto para longas jornadas. E, por fim, seu equilibrado conjunto ciclístico, auxiliado por um razoável pacote eletrônico, permite rodar fora do asfalto com segurança.
 
 

 
Motor dócil
Lançada em 2011, a Super Ténéré foi renovada há três anos. À época teve seu sistema de escapamento revisto e ganhou mais potência: o motor de dois cilindros paralelos, 1199 cm³, e refrigeração líquida, passou a oferecer 112 cv a 7250 rpm. O virabrequim com intervalos de ignição a 270° proporciona uma entrega de torque suave desde os baixos giros. Grande parte dos 11,9 kgf.m já está disponível a 3.000 rpm: uma ótima qualidade para bigtrails, ainda mais do porte da XT 1200Z, que pesa 261 kg em ordem de marcha.
 
O desempenho pode não ser o destaque desta Yamaha, mas a docilidade do motor surpreende. Bastante força para rodar em baixos giros e marchas mais altas, e potência suficiente para que, em um segundo, o motociclista já esteja acima do limite das rodovias. E o consumo também agradou: 18,5 km/litro, projetando uma autonomia superior a 400 km.
 
O acelerador eletrônico garante respostas imediatas ou suaves, dependendo do modo de pilotagem escolhido: o “Sport”, como o nome diz, deixa a Super Ténéré mais arisca; e o “Touring” permite que a garupa viaje com mais conforto sem receber trancos a cada girada no punho. Em trechos urbanos e com passageiro, é quase obrigatório selecionar o Touring; já para viagens solitárias e em ritmo mais forte, o Sport garante a diversão.
 
A seleção dos modos é bastante simples: basta apertar o botão “Mode” no punho direito e fechar o acelerador. Uma facilidade se comparado a outros dispositivos eletrônicos existentes, como o controle de tração, que só pode ser alterado no grande painel.
 
Duas telas de LCD formam o painel digital de instrumentos. A maior e retangular, à esquerda, tem velocímetro, conta-giros, relógio, marcador de combustível e a indicação dos modos de pilotagem e do controle de tração. A outra menor exibe outras informações importantes: hodômetros, autonomia, consumo, ajuste da suspensão eletrônica e um útil indicador de marcha.
 
O painel é completo e de fácil visualização, mas os comandos no punho esquerdo exigem certa prática. Confesso que precisei treinar com a moto parada como navegar entre as informações e até mesmo para ligar o aquecedor de manoplas. Este é um dos pontos nos quais a bigtrail da Yamaha perde para as concorrentes e poderia ser aprimorada.
 
 

 
Confortável e valente
A versão DX, avaliada, foi apresentada em 2015 com pequenas mudanças que melhoraram a experiência do motociclista aventureiro. Manoplas aquecidas com três níveis de temperatura e um para-brisa maior e ajustável – manualmente, sem a necessidade de ferramentas – aumentaram o conforto e a proteção aerodinâmica. O banco também pode ser regulado em duas posições (845 mm e 870 mm), o que facilita a vida dos mais baixinhos: do “alto” dos meus 1,71 m consegui apoiar os dois pés no chão.
 
Mas a grande novidade foi o uso das suspensões eletrônicas. Há três níveis de compressão e retorno – Hard, Standard e Soft – com 14 combinações possíveis, que podem ser ajustadas mesmo em movimento. Já a pré-carga da mola só pode ser mudada com a moto parada e altera até a altura da Super Ténéré: com carga para levar piloto, garupa e bagagem a moto fica mais alta. Outra bem-vinda novidade eletrônica foi o Cruise Control (piloto automático).
 
O guidão foi reposicionado e facilitou a pilotagem em pé, posição ideal para o fora-de-estrada. Aliás, na terra, a Super Ténéré surpreende ainda mais. Com o ajuste Soft (“macio”) e o controle de tração no nível “2”, menos intrusivo, a bigtrail se sente à vontade em estradas de cascalho e terra batida mesmo com muitos buracos. As rodas, de 19 polegadas na frente e 17 atrás, com raios centrais e pneus sem câmara também são ideias para esse tipo de piso.
 
Já os freios combinados com sistema ABS, que não pode ser desligado, são o outro “defeito” da XT 1200Z. Mas, vale dizer, que o funcionamento do sistema é muito bom até mesmo na terra, mas seria um problema para um off-road mais “pesado”.
 
 

 
Opção a ser considerada
Em função do seu preço e lista de equipamentos, a XT 1200Z Super Ténéré na versão DX deve ser levada em consideração por quem pensa em adquirir uma bigtrail. Conforto, autonomia, controles eletrônicos e bom desempenho no fora-de-estrada são qualidades que fazem jus ao sobrenome Ténéré.
 
A versão DX com a pintura de “60 Anos” (amarela com os blocos pretos da Yamaha) é vendida por R$ 69.990, mas com a pintura azul ou cinza sai por R$ 65.490. A Super Ténéré até sente o “peso” da idade perante as concorrentes, e pode não ser a mais famosa, a mais potente e nem a mais badalada, mas certamente cumpre sua proposta de ser uma moto aventureira para longas viagens.
 
 
TEXTO: Arthur Caldeira / Agência INFOMOTO
FOTOS: Arthur Caldeira / Agência INFOMOTO